quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A tragédia esquecida da descolonização Cultura e História20 Jan, 2016

A memória do abandono das províncias ultramarinas continua dolorosamente presente. O drama dos “retornados” é uma ferida que a III República não conseguiu sarar. Falta ainda que se faça justiça: para as centenas de milhar de inocentes cujas vidas foram arruinadas e para os responsáveis pela tragédia africana de 1975.

Os manuais de História tratam o tema como encerrado, mas as perguntas incómodas mantêm a sua pertinência. Com que direito os militares portugueses do MFA entregaram Angola e Moçambique a partidos aliados da (hoje extinta) União Soviética? Por que razão os povos das províncias ultramarinas nunca tiveram o direito de se pronunciar sobre o seu destino? A crise dos refugiados, vulgo “retornados”, era inevitável?

A apressada outorga de independência aos territórios do Ultramar, um dos grandes pecados da actual República, aconteceu há quatro décadas certas, decorria o ano de 1975. Nessa data, chegavam a Lisboa mais de 400 mil refugiados de África, brancos, negros e mestiços inocentes que viram as suas vidas arruinadas por uma descolonização então chamada “exemplar” mas hoje prudentemente rotulada de “possível”. Na verdade, uma tragédia desnecessária que provocou o maior movimento de repatriação de sempre na nossa História.

O império de D. João II foi abandonado à pressa, e o pouco que restava dele jazia perto do Padrão dos Descobrimentos, em contentores desconjuntados contendo as parcas posses que os portugueses ainda conseguiram salvar da guerra civil que se aproximava velozmente de Angola. Só para evacuar todos os portugueses de África foram necessários 905 voos, e a recém-nacionalizada TAP teve de dar uso até aos imponentes Boeing 747 recentemente adquiridos. Os EUA e a URSS também contribuíram, tanto para a desgraça que estava a acontecer, como com aviões para retirar do Ultramar, sobretudo de Angola, cidadãos cujo único “crime” era terem nascido portugueses. Também foram usados 27 navios, que transportaram 100 mil pessoas. Quinhentos anos depois, barcos modernos faziam a rota das caravelas, mas em sentido contrário.

Os custos económicos do abandono de 98% dos territórios portugueses foram gigantescos para os povos afectados. Em 1973, o Produto Nacional Bruto de Angola era de 2,7 mil milhões de dólares, e o de Moçambique de 3.1 mil milhões, segundo dados do Banco Mundial. Poucas anos mais tarde, eram apenas uma ínfima fracção desse valor. Por sua parte, Portugal passou de ter taxas de crescimento de 10% ao ano, para ter de receber o FMI pela primeira vez em 1977.

Terror e racismo de esquerda
O actual regime angolano, agora a tentar revestir-se com o verniz da legitimidade dos Estados civilizados, afirma que os “colonos” nunca foram expulsos, apenas escolheram abandonar o território por causa do seu “racismo”. Mas a verdadeira história é bem diferente, quando contada por quem viveu os horríveis acontecimentos de 1975 – como Américo Cardoso Botelho, que os deixou pungentemente retratados no seu livro “Holocausto em Angola”.

A autoridade portuguesa no território, dominada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) e manipulada pelo Alto-Comissário Rosa Coutinho, já estava em colapso mesmo antes da independência formal. Execuções públicas, saques a casas de portugueses, pilhagem generalizada eram já comportamentos comuns mesmo antes de a nossa bandeira ser arriada pela última vez. Uma situação que, com excepção das execuções, não era muito diferente da vivida em Portugal continental, a braços com a anarquia do PREC.

Retornados

Em Julho de 1974, mais de mil reclusos fogem da prisão em Angola, muitos deles homicidas, e as autoridades decidem conceder-lhes uma amnistia porque o governo já não tinha recursos para os capturar de novo. Em Luanda e Lourenço Marques a taxa de homicídios dispara. Em pleno PREC, Vasco Gonçalves declara a uma televisão alemã que as inquietações dos portugueses em África eram as “de uma minoria teimosa e egoísta, que se recusa a reconhecer as perspectivas de futuro”.

Os jornais ainda estavam quase todos sob o controlo das forças de esquerda e não reportavam a situação de forma isenta, virando os portugueses continentais contra os seus concidadãos de além-mar. Um jornalista britânico, John Bruce Edlin, chegou mesmo a ser expulso de Moçambique por questionar a anarquia reinante, mas desta vez ninguém protestou no estrangeiro.

A actual República Portuguesa gostaria, por certo, de esquecer que entregou todo o Império Português ao bloco comunista soviético. Mas não há maneira de esquecer como, no momento crucial, o racismo da esquerda se revelou. Na hora da separação forçada, os brancos foram considerados “portugueses” e os negros “outra coisa”, quando anteriormente eram todos cidadãos nacionais sob a mesma bandeira.

Durante séculos, Portugal assumiu responsabilidades pelos habitantes daqueles territórios, e muitos, em troca, serviram a sua Pátria. Em 1974, metade do Exército Português era composto por soldados africanos, incluindo o mais condecorado oficial das nossas Forças Armadas, Marcelino da Mata. A vasta maioria destes soldados foi abandonada à sua sorte. E a sua sorte foram execuções em massa, tanto deles como das suas famílias.

Silêncio…
Os refugiados de África organizaram-se para exigir indemnizações ao Estado português. Esse, por sua vez, sacudiu a água do capote alegando que a III República ainda não existia à data da colonização, e consequente descolonização, dos territórios. Ainda hoje, quarenta anos depois, os espoliados de África não viram um cêntimo. Muitos não conseguiram trazer de África nem uma ínfima parte do que lá haviam construído e amealhado com o suor do seu rosto. O infame decreto-lei 181/74 tornava a transferência cambial de escudos ultramarinos para escudos portugueses uma operação quase impossível.


Os causadores de toda a catástrofe humanitária que se viveu nunca foram julgados. A elevada idade de alguns significa que já não o serão. Outros viveram e morreram no maior dos confortos, por vezes até com pensões do Estado português. Outros ainda estão no poder nos territórios africanos.

A actual República começou coxa, e ainda coxa sobrevive. Quer esquecer os acontecimentos de há quatro décadas para resguardar a “paz social”. Mas por todo o mundo a crise angolana está a despertar a atenção dos países desenvolvidos para a tragédia de 1975, especialmente tendo em conta os efeitos trágicos que teve. Todos os anos são publicados livros que contam uma história divergente da história oficial em relação à descolonização.

Livros como “Diamantes de sangue: corrupção e tortura em Angola”, do jornalista angolano Rafael Marques, “Guerra e Paz: Portugal/Angola”, de W.S. Van der Waals, “Guerra d’África, 1961-1974 – Estava Perdida a Guerra?” de Humberto Nuno de Oliveira e Brandão Ferreira (colaboradores do nosso jornal), “Holocausto em Angola”, de Américo Cardoso Botelho, “Em Nome do Povo – O massacre que Angola silenciou”, de Lara Pawson, ou “Os Retornados Mudaram Portugal”, de Fernando Dacosta, entre muitos mais, desmentem a “verdade politicamente correcta”.

O silêncio oficial continua, e nas escolas ainda o 25 de Abril e a descolonização “exemplar” são contados aos alunos segundo a cartilha esquerdista. Nas escolas, as crianças aprendem os três “D” do MFA antes de lhes ser ensinado o Hino Nacional. Mas mesmo com toda a censura e revisionismo, existe felizmente quem ainda queira descobrir a verdade.

O silêncio está a tornar-se ensurdecedor.

Fonte - Jornal o Diabo



Retornados”: os refugiados portugueses do século XX

Retornados”: os refugiados portugueses do século XX
O termo, expressão ou designação, "retornado" foi particularmente utilizado nos tempos que se seguiram à revolução do "25 de Abril de 1974".
Aquela expressão visava identificar, mas sobretudo molestar, os portugueses vindos das ex-colónias, muitos deles chegando a Portugal em sofrimento e grandes dificuldades, após se terem confrontado, sem "apelo nem agravo", com os processos impostos, precipitados, violentos, irracionais, e até mesmo traidores, das irresponsáveis independências ultramarinas.
A maioria destes portugueses retornavam ao país donde tinham partido muitos anos antes, donde haviam emigrado com enormes sacrifícios e em busca duma condição melhor, e outros, os africanos naturais, filhos ou descendentes de portugueses, aqui chegavam depois de terem sido forçados a abandonar as suas próprias pátrias, na verdade, a refugiarem-se num terceiro país.
Todos eles foram expatriados à força e contra a sua vontade das suas terras e haveres pela ação de delinquentes fardados e armados à pressa pelos oportunistas descolonizadores portugueses. 
Os chamados processos de descolonização portuguesa visaram especial e preferencialmente entregar as possessões africanas portuguesas aos interesses estrangeiros, com particular cuidado e simpatia aos movimentos internacionais comunistas, fossem eles soviéticos, cubanos ou chineses!
O amargo do reverso da medalha imperialista anti-comunista estaria guardado para o martírio do povo de Timor-Leste...
E os povos naturais africanos, sem terem alguma vez sido sujeitos a uma consulta popular, ou referendo, para o efeito, foram abandonados pelos descolonizadores ao genocídio das guerras civis que se sucederam imediatamente.
Recém-chegados à “metrópole”, nos anos 1975/76, que ameaçava então mergulhar num pântano comunista, estes “novos” portugueses, confrontados com uma realidade absurdamente diferente e mal refeitos da sua atribulada fuga, com os seus escassos haveres ou só a roupa vestida, logo se depararam com essa xenófoba “identificação”.
Mas, os naturais metropolitanos portugueses, na sua terra, possuem uma particular habilidade para agredirem os mais fracos, os judeus, os pretos, os “estrangeiros” e …todos os outros.
Eu, moçambicano português de nascimento, nessa altura, uma criança de meros 9 anos, desenraízado e assustado com uma realidade muito diferente, também fui hostilizado por crianças e adultos, algumas vezes tive mesmo de me defender com os punhos, ou, com a especial habilidade que tinha em atirar pedras, respondia-lhes com as mesmas “munições".
Também fui protegido por alguns estranhos, vizinhos e novos amigos; uma certa vez, aos meus 10 anos de idade, por ter sido identificado como “retornado” fui derrubado da bicicleta por um matulão mais velho, que, quando se aprontava para me “malhar” no chão, foi afastado pela intrépida e para sempre amiga “Lai”.
O comunismo e o marxismo dos independentistas africanos, roubou-nos o nosso património, a nossa naturalidade e, inclusivamente, os nossos registos oficiais e, a seguir, mergulhando os povos autodeterminados numa matança coletiva, entregou-nos ao maltrato dos seus “camaradas” portugueses.
Hoje, ainda não completamente sarados da traição, dos roubos e dos insultos, nunca fomos ressarcidos, e nem sequer nos pediram desculpa (mas os portugueses só expiam os seus pecados com Deus ...!), já só raramente alguns energúmenos usam depreciativamente a palavra “retornado”.
Os “retornados” foram os primeiros, e únicos, refugiados em massa em Portugal, na sua própria terra!
Chegaram à antiga metrópole nos anos "quentes" da revolução portuguesa, nos anos de 1975/1976, e, na sua grande maioria, foram votados ao abandono e esquecimento pelo Estado Português.
Depois de terem sido espoliados pelos movimentos marxistas independentistas das ex-colónias portuguesas, chegados à sua pátria natural, não receberam sequer quaisquer apoios públicos relevantes, ao invés receberam em grande parte das autoridades portugueses oficiais desprezo e repulsa.
Ainda assim, este mais de um milhão de naturais, filhos, netos, ou descendentes de portugueses, souberam, com o seus esforço, denodo, coragem e, distintamente, com o seu civismo, exemplares, integrarem-se na sociedade e economia portuguesas, tendo, inclusivamente, sido uma capital humano decisivo para o desenvolvimento económico e social de Portugal que se deu mais tarde nas décadas de 80 e 90 do século XX.
Eu lembro-me desse tempo, eu era um “deles”!
Cheguei a Portugal no distante ano de 1975, era dia 1 de Novembro, tinha apenas 9 anos...chuviscava e fazia imenso frio, como nunca tinha sentido na vida, tudo era mais escuro, as estradas eram muito apertadas, parecia tudo tão pequeno e confuso…, as diferenças pareciam abissais em relação ao que estava habituado até aí, tudo mesmo, especialmente as pessoas que passava a conhecer como jamais as tinha visto ou ouvido…
Até a língua portuguesa soava tão diferente!
O choque cultural, social, económico, político, …foi profundo e traumático, nós, os então denominados "retornados", não fomos nada simpaticamente recebido por muitos portugueses!
Apesar destas centenas de milhares de portugueses ultramarinos terem chegado, na sua esmagadora maioria, a Portugal só com a roupa que tinham vestidos, das separações familiares, do desenraizamento forçado, da fuga das suas próprias casas, escorraçados inocentemente a tiro e sob insultos das suas terras de nascimento, magoados, enxovalhados, ainda assim, foram recebidos pelos portugueses metropolitanos com frieza e rancor sob os epítetos de "colonialistas", "ladrões" e "racistas"…
A justiça histórica continuará ausente e por se fazer até ao dia em que estes portugueses sejam adequada e proporcionalmente ressarcidos dos seus danos patrimoniais e morais lhe infligidos.
Mas, os “retornados”, imbuídos pelos largos horizontes africanos, deram uma resposta de paz e de desenvolvimento como não houvera igual até aí, no século XX, em Portugal; e agora outros portugueses voltam aquelas fascinantes terras em busca do seu pão e do seu futuro.
Tempos absurdos e irracionais que foram aqueles…
E nunca mais deixámos, até hoje, de ser “retornados”, com o tudo o que isso significou e intimamente nos marcou...
As particulares nostalgia, saudade, e uma particular consciência da sua "singularidade africana", ainda hoje fazem pulsar de modo diferente a vida, a consciência e a condição destes portugueses, que um dia foram africanos e... "retornados".
E nós, os “retornados”, lembramos sempre com extraordinário orgulho e profunda saudade a “nossa” África!

- Sérgio Passos -



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Cronologia da cidade de Lubango (Sá da Bandeira)


1627 - Primeira expedição à região planáltica, pelo capitão-mor de Benguela, Lopo Soares Lasso
1764 - A notícia das condições excepcionais das terras e do clima da Huila inspiram ao Governador D. Francisco Inocêncio de Souza Coutinho os primeiros planos de ocupação do sul.
1769 - Criação da povoação de Alba Nova, mais tarde simplesmente Huila, para onde seguem o capitão-mor António Rodrigues Algarve e o padre Capuchinho, Gabriel de Braga, em missão pacificadora.
1789 - Nomeação para Alba Nova do capitão-mor António Rodrigues Jardim, após alguns anos de vida estacionária.
1790 - Nomeação do capitão-mor Francisco Inácio de Mira, em substituição do anterior.
1828 - Nomeação do regente Felício Matos da Conceição;
1837 - Nomeação do alferes João Francisco Garcia, fundador de presídios e fortalezas.
1843 - Luz Soriano, funcionário superior do Ministério do Ultramar, apresenta uma Memória em que se reforçam as ideias de Sousa Coutinho sobre a ocupação do Sul.
1845 - João Francisco Garcia regressa a Alba Nova, onde funda um presídio e lança as bases da colonização do Sul, com o apoio de comerciantes que percorriam o interior.
1850 - O Ministro Marquês de Sá da Bandeira cria o Concelho da Huila.
1856 - O mesmo titular da pasta do Ultramar manda distribuir terras aos soldados que desejem permanecer na Huila, além do subsídio de embarque, sementes e alfaias.
1864 - Inicia-se a grande estrada que ligaria Moçâmedes ao planalto, pela região de Capangombe, passando pelo Bruco e Tchivinguiro.
1866 - Por esta estrada, o Padre do Espírito Santo, Carlos Duparquet, sobe a Chela e começa a exploração das terras altas, em missão científica e evangelizadora.
1880 - Os bôeres que desde 1652 se fixaram na África do Sul, fugindo à guerra entre holandeses e ingleses, começaram a instalar-se na Huila, depois de diligências efectuadas entre o Padre Duparquet e o Governo de Lisboa.
1881 - Os bôeres chegam à Humpata a 4 de Janeiro , fixando-se ali com gado e haveres. No mesmo ano, Duparquet regressa duma viagem à Europa, acompanhado pelo padre José Maria Antunes, que funda a missão da Huila , mandando arrotear 2000 hectares de terreno e dirigindo uma exploração agrícola em moldes evoluídos , para exemplo dos nativos.
1882 - O Seminário de Luanda é transferido para a Huila, anexo ao qual passa a funcionar um internato para nativos, onde se ministra o ensino oficial. No mesmo ano, Duparquet funda a missão do Humbe.
1883 - A 17 de Janeiro, a Humpata ascende à categoria de concelho, com uma Comissão Municipal formada por bôeres, sendo administrador o alferes Artur de Paiva, que vem a casar com a filha do chefe da colónia boer, o comandante Jacobus Botha.
1884 - A 19 de Novembro, chegam a Moçâmedes os primeiros Madeirenses que se destinavam à colonização do planalto, num total de 222 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.
1885 - A 16 de Janeiro, chega ao vale do Lubango, num local conhecido por Barracões, a segunda leva de madeirenses, sendo a 19 do mesmo mês fundada oficialmente a colónia de Sá da Bandeira, em homenagem ao Marquês com o mesmo nome, que chefiava o Ministério do Ultramar, ficando a ser dirigida pelo condutor de Obras Públicas. D. José da Câmara Leme. No mesmo ano, chega ao planalto a segunda colónia madeirense, num total de 336 pessoas, 42 das quais se deslocam para as margens do rio Chimpumpunhime, fundando a povoação de São Pedro da Chibia, a 16 de Setembro.
1887 - É construída a residência da Administração da colónia de Sá da Bandeira, ocupada por Câmara Leme.
1889 - Dado o desenvolvimento desta zona, cria-se o Concelho do Lubango, nome de um antigo soba "Kaluvangu" que vivia na região.
1890 - Instala-se nas margens do rio Caculuvar, distante oito quilómetros, uma sucursal da Colónia de Sá da Bandeira.
1891 - Funda-se a Missão do Jau. É eleita a primeira Câmara do Lubango, sob a presidência de João Gonçalves de Azevedo.
1892 - Funda-se a Missão do Tchivinguiro. Artur de Paiva, administrador do Conselho da Humpata é nomeado intendente da colonização branca em todo o planalto.
1894 - Funda-se a Missão da Quihita.
1896 - Câmara Leme é transferido para S. Tomé.
1898 - Funda-se a Missão do Munhino, prolongamento da Missão mãe da Huila, onde os padres Bonnefoux e Lecomte desenvolvem acção notável.
1900 - O senso deste ano assinala 1575 habitantes no Lubango, sendo 1248 da raça branca.
1901 - A 2 de Setembro é criado o Distrito da Huila, sendo o Lubango elevado à condição de Vila de Sá da Bandeira, começando a Humpata a perder a sua importância militar e administrativa.
1906 - Chega a Sá da Bandeira a primeira professora oficial, Dona Irene Bettencourt de Medeiros Portela, com ela começando a instalação do ensino oficial, antes confiado às Missões.
1908 - O Governador da Huila, capitão João de Almeida, lança as bases do desenvolvimento da futura cidade.
1910 - Ainda no governo de João de Almeida realiza-se a primeira Exposição feira Agro-Pecuária.
1915 - O General Pereira D'Eça termina praticamente com as guerras de ocupação.
1918 - Chegada da Esquadrilha Expedicionária de Aviação.
1919 - Funda-se a Escola Primária Superior, a Associação Comercial e Agrícola, a Associação dos Empregados do Comércio e, provavelmente neste ano, aparece o primeiro jornal, de natureza panfletária, O CLARIM, de Joaquim de Figueiredo.
1923 - Sá da Bandeira é elevada a cidade, no dia 31 de Maio, por proclamação, na residência do Governo Geral, na Humpata, do Alto Comissário da República, General Norton de Matos. Neste mesmo ano, atinge Sá da Bandeira o caminho de ferro de Moçâmedes.
1929 - A Escola Primária Superior, com ensino até o terceiro ano, dá lugar ao Liceu Diogo Cão. Sá da Bandeira tinha nessa data uma população estudantil da ordem de meio milhar. Funda-se o jornal "Notícias da Huila" sob a direcção de Venâncio Guimarães, sendo chefe de redacção o jornalista Filipe Coelho.
1932 - O Padre Carlos Estermann , que se viria a notabilizar como etnógrafo, assume a direcção das Missões.
1935 - Em função do desenvolvimento de Sá da Bandeira, surge o Vicariato Geral da Chela, sob a direcção do Padre Carlos Estermann. Neste mesmo ano a Huila ascende a Província, sendo a quinta da nova divisão administrativa de Angola.
1937 - O Liceu Diogo Cão passa a ministrar o 7º ano, tendo 150 alunos, e é fundado o colégio das Doroteias, "Paula Frassinetti". Cria-se o Aero Clube da Huila.
1939 - Funda-se o Radio Clube da Huila.
1942 - É lançada a primeira pedra da Escola Agrícola do Tchivinguiro.
1949 - O Caminho de ferro atinge a Chibia.
1953 - O Caminho de ferro atinge o Chiange. Chegam à Matala os primeiros colonos, no seguimento de um programa de colonização do Inspector Superior, Engenheiro Trigo de Morais, que começara com a construção da barragem hidroeléctrica sobre o Cunene. Começa-se a publicar o "Jornal da Huila", sob a direcção do Comandante de Marinha, Venâncio Guimarães Sobrinho.
1954 - O ensino local é valorizado com a abertura da Escola Industrial e Comercial e um curso de Professores, que se propunha ser o embrião da Escola de Magistério Primário.
1955 - O Caminho de Ferro, em direcção ao leste, atinge a Matala. Funda-se a Corporação dos Bombeiros Voluntários de Sá da Bandeira.
1956 - Chega a Sá da Bandeira o seu primeiro bispo, D. Altino Ribeiro de Santana.
1957 - A Escola do Tchivinguiro ascende à categoria de Escola de Regentes Agrícolas.
1959 - Inicia-se em Sá da Bandeira o primeiro movimento pró - Universidade de Angola. A cidade conta por esta altura cerca de 30000 habitantes.
1961 - É criado o Instituto Comercial.
1962 - O Governador Venâncio Deslandes anuncia a criação dos Estudos Gerais Universitários, em bases que vêm a ser julgadas inconstitucionais pelo Governo de Lisboa.
1963 - São efectivamente criados os Estudos Gerais Universitários, em Luanda, com delegações em Sá da Bandeira e Nova Lisboa. Cria-se no mesmo ano a Escola do Magistério Primário. Funda-se a Editorial Imbondeiro, sob a direcção de Garibaldino de Andrade e Leonel Cosme, que constitui a primeiro movimento editorial angolano. A Câmara Municipal realiza o I° Encontro dos Escritores de Angola.
1966 - Começam a funcionar os Cursos dos 8º e 11º grupos e as Pedagógicas, na Delegação dos Estudos Gerais.
1968 - Começa a funcionar o curso de Ciências Matemáticas.
1969 - Extinguem-se os cursos de preparação de professores e criam-se os bacharelatos de Românicas, História, Geográficas, Pedagógicas e Matemáticas. É criada a Escola do Ciclo Preparatório "Marquês de Sá da Bandeira", logo frequentada por cerca de 1000 alunos.
1970 - O senso deste ano dava à cidade e arredores cerca de 50000 pessoas e 85000 no concelho do Lubango.
1973 - Sá da Bandeira festeja o cinquentenário de sua elevação a Cidade, contando, com as áreas circunvizinhas, cerca de 60000 habitantes, 6560 aluno primários nas área do concelho, cerca de 4000 no ensino secundário, meio milhar no ensino médio e outro tanto no ensino superior. Para assinalar a efeméride a Câmara Municipal realiza o Festival Internacional de música, com a presença de artistas de várias partes do mundo, sob a direcção do pianista Sequeira Costa, e constrói o Monumento ao Marquês de Sá da Bandeira.

Fonte

(fonte: Muhuilas)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CALUQUEMBE - A SUA FUNDAÇÃO ADMINISTRATIVA FOI HÁ 100 ANOS

As terras em si já existem, não se fundam. Mas as povoações, sua estrutura administrativa, edificações, arruamentos, etc., esses, sim, começam algum dia pela decisão e mão do homem.
Foi a 9 de dezembro de 1916 que foi publicada no nº 49 do Boletim Oficial de Angola, I Série, a Portaria nº 233 do Governo-Geral de Angola, de 8 de dezembro de 1916, criando o Posto de Polícia Civil de Caluquembe, entre outros criados na mesma data. Faz agora 100 anos !
Era integrado na então circunscrição civil de Caconda, zona histórica, pertencente ao distrito de Benguela.
Do sumário do Boletim Oficial em causa extrai-se o seguinte:
“…
GOVÊRNO GERAL DE ANGOLA
Secretaria Geral do Govêrno:
Portaria n.º 233, criando, na circunscrição civil de Caconda, o posto de polícia civil de Caluquembe. “
                              
Segue-se no interior desse número do Boletim Oficial de Angola (página 329) o texto dessa Portaria:
            “ PORTARIA N.º 233
Nos termos do § 1.º do artigo 3.º do Regulamento das Circunscrições Administrativas, de 17 de abril de 1913, e atendendo à proposta do Governador do distrito de Benguela:
Hei por conveniente criar, na circunscrição civil de Caconda, o posto de polícia civil de Caluquembe, tendo por limites:
Norte – o limite sul do pôsto da Chicuma desde a nascente do rio Quê até às proximidades do rio Catumbela.
Sul – o limite norte do pôsto de Chicomba até à confluência do rio Cupacassa no Catapi.
Leste – o curso do riacho Iumbi até à sua confluência no Cupacassa; o curso deste rio até à sua confluência com o riacho Uaba. Da nascente do riacho Iumbi uma linha norte-sul até o limite sul do pôsto da Chicuma.
Oeste – o limite oeste da circunscrição, desde a nascente do rio Quê até próximo do paralelo 14º.
Cumpra-se.
Residência do Govêrno Geral, em Loanda, 8 de Dezembro de 1916. – O Governador Geral, Pedro Francisco Massano de Amorim.
Presumimos que na época (1916) se designava, como postos de polícia civil, a maioria das subunidades básicas civis, da administração do território de Angola, considerada então oficialmente uma província de Portugal. Também pensamos que esses postos de polícia civil viriam a ser designados posteriormente como postos administrativos chefiados por um chefe de posto, face a uma reforma administrativa de Angola subsequente.
clip_image002
Pelo que Caluquembe, a partir de certa altura, foi designado posto administrativo. Mas, a esta distância temporal será algo difícil obter informações pormenorizadas através da memória oral, eventualmente transmitida a gerações seguintes e ainda vivas, tais como: onde teria sido instalado o primeiro posto de polícia civil, quem o chefiou de início, quando se transformou efetivamente em posto administrativo, etc.? Ou, por outro lado, será extremamente complicado ter o enorme trabalho de efetuar pesquisas intensas em arquivos históricos, nem sempre acessíveis.
No posto administrativo foi também criada, como autarquia, a junta local de Caluquembe, em meados dos anos 50.
            Caluquembe está situado no Sul de Angola, na hoje província, antigo distrito, da Huíla. Porém, à data da sua criação pertencia, tal e qual como a circunscrição civil de Caconda onde o mesmo estava integrado, ao distrito de Benguela, supomos que até aos anos 30 do século XX, sendo a partir de então integrado na Huíla.
            O posto administrativo foi promovido a concelho em 1965 (Portaria nº 14.061, de 13 de dezembro de 1965), sendo, por sua vez, dividido em quatro postos administrativos: sede, Chicomba (desanexado de Caconda), Negola (desanexado de Quilengues) e Calépi. O posto de Chicomba viria por sua vez a ser promovido a Concelho no início dos anos 70, pelo que Caluquembe ficou então com menos um posto administrativo.
            Concomitantemente à sua elevação a concelho, em 1965, foi criada a câmara municipal de Caluquembe, substituindo a anterior junta local.
            Na atualidade, o município de Caluquembe possui três comunas: sede, N’gola e Calépi. Tem uma área total de 3074 Km2 e, segundo o censo de 2014, possui 169420 habitantes.
                                                                                  
                                                                                          Júlio H. Rodrigues, 9/12/2016



                                                           
           

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ensino em Caluquembe está reforçado



Arão Martins | Lubango
O administrador municipal de Caluquembe, José Arão Nataniel, anunciou na última sexta-feira que as infra-estruturas escolares entram em funcionamento a partir do próximo lectivo e que as obras estão a ser financiadas com fundos da União Europeia.
Com a conclusão das obras, centenas de crianças que vivem nas aldeias de Calonali, Etete, Caloningui, Cassapa, Lomba Alto e Baixo, Tchiengue Hengue, Tchitupi, Etonga Baixo, entre outras aldeias, vão poder estudar em melhores condições.
No município foram matriculados este ano mais de 69 mil alunos, desde o ensino primário ao secundário do II ciclo. Com estas construções, mais alunos vão ter acesso ao ensino.
O administrador municipal de Caluquembe reconheceu o apoio e a abertura da   cooperação com a União Europeia, que se tem mostrado disponível e presente na região.
“É a terceira vez, este ano, que a delegação da Comunidade Europeia visita a municipalidade. Por isso, ressalto o empenho desta instituição que nunca nos virou as costas naquilo que são os convénios com o Executivo, através dos acordos bilaterais”, disse o administrador municipal. Em Caluquembe está ainda a ser construída uma escola de 20 salas, para atender o ensino médio técnico-profissional.


Caluquembe é o quarto município mais populoso da província da Huíla, com 169.420 habitantes, depois do Lubango, Matala e Chibia. O administrador municipal disse que o Governo Provincial tem canalizado vários recursos com vista a criar novas infra-estruturas sociais e económicas.
Fruto do trabalho que está a ser desenvolvido, Caluquembe continua a registar progressos significativos de infra-estruturas públicas e privadas, nos sectores habitacionais, agro-pecuário, educação e vias de comunicação.
Os resultados dos vários programas do Executivo são visíveis nas três comunas do município, com acções na iluminação pública e domiciliar, requalificação e criação de espaços verdes, avenidas e passeios.
Os habitantes dos bairros Etonga, Sagrada Esperança e 4 de Fevereiro já consomem água potável, com a inauguração de novos sistemas de abastecimento.
Os referidos empreendimentossociais e económicos  foram criados com fundos do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural e de Combate à Pobreza.

Fonte

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Hospital de Caluquembe como Centro de Referência


O Hospital de Caluquembe IESA constitui uma força na parte sul do Pais tem valor e tem uma missão. Tem um fundamento enraizado em Mateus 5:16, Mateus 9:35 Lucas 9:11 Estes elementos visão, força e missão foram erguidos desde o principio da historia da OMIESA e estão contemplados no programa estratégico da OMIESA 2008/2014.
Historial
O hospital de Caluquembe como a primeira instituição clínica da IESA começou com umas duas casotas e uma casa mortuária na Missão trabalhando ali algumas enfermeiras e o Senhor Francisco Salomão já encontrado.
Na sequência do quadro missionário e no alvo de servir o Povo Angolano na sua integra em 1919 doze anos depois chegou em Caluquembe – Angola, a primeira enfermeira de nome Rosa Herzog de nacionalidade Suíça para prestar cuidados de saúde primária e curativos. Quando volta da Suíça em gozo de ferias veio no estado de casada com o missionário Guillod Henri e decidem ir para Ebanga (vila Mariano Machado) actualmente Ganda.
Com as enfermidades que prevaleciam no seio do Povo, a Igreja não cruzou os braços aproveitou a presença dos delegados vindos da Missão Suíça para apresentarem as suas preocupações no acampamento que houve em Giraúl onde houve Baptismos. Essa era uma importante delegação enviada pela então Missão Filafricana na Suíça e que vinha propositadamente fazer o levantamento cabal no campo chefiada pelo Pastor Henri Monnier, em representação do presidente da Missão DR. Riller de Benoit.
É assim que prometem a Igreja de KUKALA um médico. Este facto de grande importância e histórico na IESA concretiza-se em 1943 com a chegada do DR. Rodolpho Auguste Bréchet., médico polivalente impulsionador e de estima respeitável. Ele veio dar mais ênfase ao valioso departamento de Saúde da IESA que acelerou o processo de Evangelização, de edificação, da Igreja, formação de quadros, fundação das missões e faz conhecer o nome de Caluquembe tanto Nacional, como Internacional até hoje e é o espelho da IESA. “”Dizia um governante em 13 de Setembro de 2009 que a unidade sanitária pertencente a Igreja Evangélica Sinodal de Angola – IESA devido o número de atendimentos, a sua dimensão, que valeu o titulo de Hospital de referência a nível da região Sul.”” (Fonte jornal de Angola) Ele serve não só 230 milhões de habitantes da região e uma extensão de 44 mil quilómetros quadrados e é habitado sobretudo por uma população camponesa.
O Hospital foi construído até 1947 e inaugurado no tempo de Jubileu e a sua ampliação foi em 1972. Quem fala da Obra médica da IESA fala do Hospital de Kaluquembe, que naquela altura teve a sua sustentabilidade incontestável a partir da Missão na Suíça, dos parceiros Internacionais até ao êxodo dos Missionários do Pais em virtude da guerra que assolou o nosso Pais até 1992.
A Crise

De 1993 -1994 Outubro a Obra médica experimentou uma dura crise jamais imaginada. A Igreja tinha que fazer manobras exercitar outros recursos, solicitando ajuda a outros parceiros e que pela graça de Deus muitos responderam positivamente dando a sua mão e pelo que o Hospital ressuscitou e vive ate a data. Depois de um trabalho árduo o Dr. Paulo Manuel trabalhou no lançamento com adquirir e ingressar o pessoal no OGE (Orçamento Geral do Estado). O Governo Angolano através do Ministério de Saúde aceitou contemplar o Hospital de Caluquembe (IESA) com o orçamento geral do Estado, verba essa que cobre cerca de 70á 80% dos salários dos trabalhadores despesas correntes do hospital ficando ainda de fora pessoal não abrangido pela dotação do OGE formação de Técnicos na Escola Técnica e suas respectivas despesas.
Alguns destaques da Obra Medica (Hospital) IESA
Ø 1927 Construção de Ebanga 1a representante da Obra médica na Ebanga Da Rosa Guillod.
1930 Construção de Sussangue
1946-1947 Jamba Cubal
1950 Morte do Missionário André Rosselet Henri em Quilengues por correntes de água para salvar o enfermeiro doente com trombocitopenia
1955-1959 Construção de Kassua
1961- Nondumbo 1979 Rapto de Edmeé Cottier
1965-1967- Lomolo –Bocoio Rapto da enfermeira missionário Ghandi Marinova junto alguns enfermeiros 1977
1982-1989 Envio de Candidatos para medicina –Luanda (4)
1999 – Benguela A enfermeira representante da Lepra e EBD crianças Therese Fuhrer é morta
1993-1994- Destruição e abandono da Missão de Kaluquembe assim como o Hospital de Caluquembe destacou-se a enfermeira Elisabeth Gafner que por vontade de Deus preferiu ficar e sofrer com os Angolanos. (Valoroso combatente)
1993-1995 Construção do vale do Cavaco (Deposito de medicamentos
2001-2002-Oferta do Gerador de 25KVA pela Jembas e Assistência Técnica (Kohler) e contentor de roupa
2004-Bolsa Samaritanos ofereceram um motor de energia e contentor de medicamentos e material médico e comida
13/09/2009 Hospital de kaluquembe na Huíla ganha Pediatria construída em raiz no âmbito do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta dos Serviços Sociais Básicos á População (PMAOSSBP) com objectivo reforçar o atendimento ás crianças carenciado deste Município e não só.
2010/04 Oferta de um Gerador de Luz de 65KVA pelo Vice-governador para Esfera Social (Velho Cunha)
O renascer do Hospital de Caluquembe
Enquanto não há Médico permanente dois ou mais médicos se comprometem a ir ao Município para cuidarem de casos especiais como centro de referência onde passou muitos médicos e enfermeiras de renome. “” Uma homenagem particular aos Missionários estrangeiros que mesmo em guerra não deixaram de cá vir para prestarem a sua solidariedade dizia um Governante””
As Parcerias entre Organismos e Governo deram grande incentivo para manter este Hospital, centros médicos e Postos de Saúde sem ruptura de stocks, os meios de comunicação em dia.
Hospital de Kaluquembe aos 19 de Agosto de 2010
O Director do Hospital
Nelson Andre

Tc. Medio de Saude 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Igreja da Missão de Caconda Classificada como Património Histórico-cultural

Num lugar aparentemente inóspito, longe do centro urbano e fora da rota de estrada principal, (cerca de sete km da sede do Município de Kaconda a Norte da província da Huíla) ergue-se a Igreja dedicada ao Imaculado Coração de Maria, também conhecida como a Igreja da Missão de Kaconda.




quarta-feira, 1 de junho de 2016

Jorge Rodrigues [Comix]


26º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE “ Princesa da Huíla…”

O prazer do reencontro e a alegria de reviver, não são contos, são a nossa maneira de ser e estar…



“Mulembas” esperam os convivas do piquenique…


26º PIQUENIQUE DE FAMÍLIAS AMIGAS DE CALUQUEMBE  “ Princesa da Huíla…”

Avizinha-se mais um Piquenique que irá realizar-se no dia 3 de julho de 2016 – 1º domingo do mês - no sítio habitual dos pinheiros mansos (Cabeço da Flauta) na zona da Lagoa de Albufeira (EN 377, cerca do Km 30), a partir do início da manhã e até à tardinha...

Não é preciso recordar o que é necessário para o Piquenique habitual, POIS Todos sabem.

Mas é necessário apelar-se a que não se deixe murchar, definhar, por fim desaparecer… este Dia – uma vez por ano – de oportunidade de descontração, de bem estar, de reencontro, de conversa, de comida, bebida e diversão, que começámos em 1990 e que chegou a congregar dezenas de familiares e amigos.

Contamos todos com a presença de muitos. Será um dia bem agradável certamente. Este tipo de convívios é quase a última evocação do elo forte que une nossas famílias pela vivência comum, de alma e coração, na nossa querida terra - Caluquembe.

Compareçam. Levem familiares e amigos.
31 de maio de 2016
  De todos para todos…
Lembrança: no fim de semana seguinte,9 e 10 de julho, realizar-se-á nas Caldas da Rainha o 39º Convívio Anual de “Os Inseparáveis da Huíla”, outra jornada de grande interesse, convívio e emoção.




PS: Caros amigos e familiares, por motivos de saúde óbvios, não prometo estar presente neste piquenique, no entanto farei todos os possíveis para não faltar. 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Guia Turístico de Angola, Inovação Mundial


Apresentação do primeiro grande guia turístico de Angola Volume I.  com a participação de Jorge Kalukembe.

Inovação Mundial com aplicação tecnológica onde é possível visualizar 20 filmes de Angola.






terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Novo sistema de distribuição em Caluquembe


O sistema de captação e distribuição de água a instalar em breve a no rio Cunene, no sector de Vila Branca, beneficia quatro mil famílias do Caluquembe, disse na quinta-feira o administrador municipal ao Jornal de Angola.  
José Arão Nataniel afirmou que a instalação do sistema, já aprovada pelo Executivo, tal como a realização do concurso para adjudicação da obra, se destina a servir essencialmente as aldeias de Lomba, Calonali, Cacomda, Tchitupi, Betania, Camangando, 4 de Fevereiro, Campo de Aviação, Caienje e Samzala, bem como a Centralidade da Katchikakal.
O administrador municipal referiu que o fornecimento de energia eléctrica em Caluquembe também vai melhorar com a instalação de uma pequena barragem no rio Quê, o maior afluente Cunene.    
José Arão Nataniel acentuou que a Administração Municipal e o Governo Provincial  continuam determinados em melhorar o sector de Energia e Água por ser importante para o bem-estar da população e que nos âmbito desses esforços o bairro mais populoso de Caluquembe, o Eitonga,  já está electrificado.
O administrador recordou que também já foram  colocadas condutas que permitiram aumentar a distribuição de águas ao domicílio e recentemente inaugurados sete sistemas  em todos os sectores do município.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Missão Católica de Caconda

Igreja da Missão de Caconda


Faleceu P. Robert Harder

Funeral do P. Robert Harder





O P. Robert Harder, Missionário saletino, nasceu aos 7 de Abril de 1914. Fez a primeira profissão como religioso saletino aos 19 de Outubro de 1937 e ordenou-se sacerdote aos 29 de Junho de 1943. Portanto, viveu até quase 102 anos, 78 anos de vida religiosa e  73 anos de sacerdócio. Durante esse tempo serviu a Deus e a sua Igreja com muito zelo. Em 1946 fez parte do primeiro grupo de Missionários saletinos que foram para Angola. Ali trabalhou nas Missões de Tchilenge, Tchindjendje, Hanha, Ganda, Kola e outros postos. Fundou a Congregação das Irmãs de Santa Catarina de Sena que hoje contam com mais de 150 membros.

Por motivos de saúde e de idade regressou a Suíça em 2003 onde permaneceu até a data da sua morte, no primeiro dia de Janeiro de 2016. Era grande devoto da Virgem Maria e Deus fez-lhe a graça de chama-lo para si no dia em que a Igreja celebra a festa de Maria Mãe de Deus!

No dia 6 de Janeiro de 2016, na paróquia de Mörschwil, na Suíça, celebrou-se a missa do seu funeral, presidida pelo Padre Piotr Zaba, Superior do Distrito ladeado dos padres Andrzej Zagorski, Provincial da Polónia e Belarmino Tchipundukwa, Secretário Geral. Estiveram presentes confrades da Suíça e Polónia, familiares, Irmãs de Santa Catarina, Padres  angolanos que trabalham na França e na Itália, amigos e fiéis daquela paróquia.

Fonte: Missionários de Nossa Senhora de La Salette

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Padre Roberto Harder MS - 100 anos de vida




O Padre Roberto Harder MS (do Distrito da Suiça), celebra hoje, 7 de abril de 2014, cem (100) anos de vida! Natural de Nederburen / St.Gallen, é filho de Mathias Harder e Magdalena Hasler. Com apenas 9 anos de idade, depois da leitura do livro “história de uma alma” de Santa Teresa, começou a arder nele um forte desejo: tornar-se sacerdote! Em 1934 inscreve-se na Escola Apostólica de Untere Waid. Fez o noviciado em  Fribourg em  1936, e concluiu na mesma cidade os seus estudos teológicos, tendo-se laureado em 1944. Um ano antes da laurea, precisamente aos 29 de junho de 1943, tinha sido ordenado sacerdote. Três anos depois da sua ordenação, parte em missão para Angola, uma missão para a qual já se vinha preparando desde 1940. Pe. Roberto e outros 7 seus confrades suiços, partem para aquela que veio a ser a inauguração da presença saletina em Angola! Depois de experiências de missão em  Lukondo (missão que veio a ser abandonada nos anos 60), Hanha, uma breve passagem por Ndunde, será sobretudo na missão do Kola (zona de Kalukembe) que o Pe. Roberto dedicará maior tempo do seu apostolado! ( para descobrir essas missoes, basta ver o mapa da Provincia de Angola, na versao em lìngua portuguesa). A grande intuição missionária do Pe. Roberto, depois de descobrir o grande papel da mulher rural angolana na estabilização das famílias – mas também movida pela experiência pessoal junto da sua família – ,  foi a dedicação à catequese e à formação bìblica e humana das mulheres. Desta obra, nasceu o Instituto religioso feminino das Irmãs de Santa Catarina de Sena, hoje espalhadas por muitos lugares de Angola e também na Itália e na Espanha. Por razões de saúde, o Pe. Roberto Harder regressou para a Suiça em 2004. Em 2012, o Pe. Celestino Muhatili, ms, teve uma entrevista com ele, cuja pequena parte se pode ver aqui:





video


La Salette em Angola


Um pouco de História
"Pois, bem, meus filhos, fazei-a passar a todo o meu povo!"
O conteúdo da mensagem de Maria aquando da aparição em La Salette, a 19 de Setembro de 1846, tem uma riqueza bastante profunda que engaja todo aquele que decidir lê-la, ouvi-la, interpreta-la, etc.
Destarte, quem põe em prática a mensagem de La Salette, anuncia sem fronteiras e parte para os recônditos do mundo, sem olhar pelas prementes dificuldades linguístico-culturais.
Maria, ao dizer: "fazei-a passar a todo o meu povo", mostrou a urgência que o seu povo tem de se reconciliar com Deus. O mandato de Maria é profundamente missionário, porque Missão é também ir mais longe possível anunciando a boa nova, neste caso é a boa nova da Reconciliação. A presença Saletina aqui em Angola, é fruto também deste mandato recebido pelos missionários suíços que decidiram apontar o barco para as terras de Angola. Aliás, a história de La Salette, em Angola não se pode abordar sem referência máxima aos Saletinos suíços que, com muitas dificuldades, trouxeram a linda mensagem da Reconciliação.
Foi, exactamente em 1946, aquando do centenário da aparição (1846-1946), que os missionários chegaram em Angola de um barco chamado Kwanza. Não conheciam o povo local, senão de ouvir-dizeres, não conheciam a cultura local, senão de ouvir-dizeres, não conheciam as línguas locais senão de alguns estilhaços do Português, e como senão bastasse tinham que se desenrascar nestas línguas sobretudo em umbundu. Ora bem, para quem está convicto de que deve anunciar a mensagem da Reconciliação todas estas dificuldades acima referidas não constituiram empecilhos. Lembremo-nos de que a própria mensagem foi transmitida em Francês e em Patois. Se os franceses tivessem medo do alemão, ou se os suíços tivessem medo do polaco, etc..... do italiano... do umbundu.. das línguas das índias...por aí além, a mensagem de Maria cairia por terra e seria como um fumo ténue que ondeia em horizonte.
Emílio Truffer, Rafael Meichtry, Eduardo Jud, João Baptista Damann, Otmar Schweizer, Justo Villiger, João Meier e Roberto Harder são os pioneiros da saletinidade em Angola.
De Bíblia na Bagagem, estes 8 missionários ficaram assim repartidos: 5 para a Missão da Ganda (Ndunde): Emílio Truffer, Rafael Meichtry, Eduardo Jud, João Damann e Otmar Schweizer; 3 para a Missão do Lukondo (Huíla): Justo Villiger, João Meier e Roberto Harder. A partir daí, começaram a desenvolver a sua actividade missionária, fundando novas missões e casas de formação, sendo a 1ª a de Nossa Senhora de La Salette (Tchindjendje), em 1947. Seguiram-se, depois, as do Kola (1952), Hanha (1954), Kalukembe (1962), Malongo (1964), Cubal (1965), Catumbela (1971), o Seminário Maior no Huambo (1978 – onde funcionou o Escolasticado e a Filosofia 1), e o seminário Médio em Benguela (1986). Em 1990 foi fundada a actual Casa Provincial na Catumbela. Ainda em 1990 marcávamos a presença saletina no Lubango, com o noviciado e cuidando da Paróquia de S.João Baptista, na Mapunda. De Salientar que por motivos de espaço, o noviciado mudou-se para Catumbela, no antigo Escolasticado onde funcionou por 3 anos lectivos. Por sinal foi só um regresso, porque antes do Noviciado ir para Lubango, já funcionava na Catumbela. Em 1999, foi fundado o Centro Saletino de Formação e Espiritualidade (CESAFE). Aí onde funciona o Noviciado ja desde de 1999, quando saiu novamente da Catumbela para Lubango. Em 2002, La Salette chagava no Namibe, cuidando da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima do Forte. Em 2008, pela primeira vez La Salette ao norte de Angola, concretamente na então Diocese e actual Arquidiocese de Malange, na Missão de Santa Ana, Mussolo (Kambundi-Katembo). Em 2011 chegamos a Luanda, concretamente em Viana. Em 2002, a mensagem saletina ultrapassava as fronteiras e instalava-se em Opuwo – Namíbia e em 2007 em Omuthiya–Namíbia.
Chegada de outros grupos.
Em 1946 chega o 1ºgrupo: Emílio Truffer, Rafael Meichtry, Eduardo Jud, João Baptista Damann, Otmar Schweizer, Justo Villiger, João Meier e Roberto Harder. Em 1947 chegou o 2º grupo dos missionários constituído por: Ernest Tremp para a Ganda e José Von Rickenbach para Tchindjendje. Em 1948 chegou o 3ºgrupo constituído por: Ir.Francisco Ruesch para Lukondo, o Pe.José Senn para a Ganda, oPe.Leão Sarbach para o Tchindjendje e Pe.Otto Balmer também para Tchindjendje. Em 1950 chega sozinho o Padre Leonardo Roos para Tchindjendje. Em 1954 chegam o Pe.Erwin Truffer para Kola e o Pe.José Oehri para a Hanha. Em 1955 chega Ir.Mrcelino Tschugmell para a Ganda. Em 1957 chegam os Padres Francisco Eggs para Tchindjendje e Beda Luís Keller para o Lukondo. Em 1958 chega o Pe. José Bögli para o Kola. Em 1963 chega o Pe.Sigfried Heiss para o Kola. Em 1964 chega o Ir.Arthur Kamber para o Tchindjendje e o Pe.Emílio Frick para o Kalukembe. Em 1967 chegam os Padres José Graf para Cubal e Leandro Volken para Tchindjendje. Em 1968 chegam o Ir.Beato Zumstein para Tchindjendje e o Pe.Viktor Andereggen para Kalukembe. Em 1970 chega o Pe.Bruno Jentsch para a Ganda. Muitos desses já morreram e poucos vivem. Vivem na Suiça os Padres Roberto Harder, Francisco Eggs, Pe.Viktor Andereggen. A semente lançada caiu em boa terra. O crescimento dos saletinos, em Angola, é de cem por um. Angola conta, assim, com quatro casas de formação segundo as várias etapas: Propedêutico, Filosofia, Noviciado e Juniorado (Escolasticado).
Deus abençoou a Província de Angola com muitas vocações. As estatísticas actuais mostram isto mesmo. Angola conta com mais de 90 membros, entre professos, irmãos e noviços. Há um número considerável de seminaristas, o que desenha um futuro riso para a Província e para a Congregação. Temos alguns confrades fora do País: França, Itália, Namíbia, Portugal, alguns trabalhando na Pastoral, outros estão em estudos de especializações em vários campos do saber e até no Conselho Geral, através do Secretário Geral, Pe.Belarmino Tchipundukwa.
Após à chegada dos missionários em 1946, formava-se, então, o Destrito, cujo Superior foi o Padre Emil Truffer, suíço de nacionalidade. A Região, como tal, foi formada em 1964. Seu primeiro Superior Regional foi o Padre Eduardo Jud e o primeiro Superior Regional angolano é o Padre Tarcísio Tchiheke.

Ordem dos Superiores Regionais
De 1946-1964 – Pe.Emil Truffer (suíço) – ainda como destrito. De 1964-1973 – Pe.Eduardo Jud (Suíço e 1º Superior Regional). De 1973-1988 – Pe.Emil Frick (suíço) De 1988-1996 – Pe.Tarcício Tchiheke (1ºSuperior Regional angolano). De 1996-2000 – Pe.Alberto Ilidio (angolano). De 2000-2006 – Pe.Pedro Tchingandu (angolano). De 2006-2012 – Pe.Venâncio Nunda (angolano). De 2013- Pe.Pedro Chingandu (Primeiro Superior Provincial).
O I Capítulo Provincial e histórico ocorreu de 07-11 de Janeiro de 2013 no Centro Saletino de Formação e Espiritualidade (CESAFE). O Capítulo foi animado pelo Conselho Geral através do Padre Silvano Marisa, Superior Geral e do Pe.Henryk Przeździecki, Conselheiro Geral. Este Capítulo elegeu o Primeiro Superior Provincial que é o Padre Pedro Chingandu.
Por Pe.António dos Santos Tchindau, MS


1. Por motivos de Guerra, o Seminário Maior (Filosofia e Teologia) mudou-se para Benguela. Em Benguela, a Filosofia funcionou, como funciona, no S.João. Aí parece ter encontrado raízes profundas pelo que já não voltará a Huambo. A última Assembleia Capitular Provincial, em Janeiro de 2013, decidiu a permanência da Filosofia em Benguela e a transferência do Propedêutico para o Huambo. Brevemente, será efectivado este Projecto. Por sua vez, a Teologia funcionou no antigo noviciado na Catumbela. Depois que terminou a Construção do novo Escolasticado, em 2010, no Cavaco, em Benguela, esta etapa de formação mudou-se para Benguela. O Escolasticado está definitivamente instalado em Benguela.





segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

FOI HÁ 40 ANOS QUE CHEGÁMOS A PORTUGAL …


Neste ano, já é a terceira vez que vos escrevo acerca de 40 anos volvidos sobre diversos acontecimentos pessoais e familiares.

Desta vez, vou partilhar convosco a nossa parcela, considerando a minha família nuclear e próxima, no êxodo que constituiu a vinda de muitos milhares de refugiados deAngola, Moçambique e dos outros territórios. Por diversas formas vieram, como é consabido. No caso de Angola: grande parte dos refugiados veio pela ponte aérea paraPortugal; outros ainda vieram em navios diretamente de Angola para Portugal enquanto possível; outros milhares, refugiaram-se no Sudoeste Africano (hoje Namíbia) e na África do Sul, onde alguns conseguiram por lá ficar, mas, grande parte destes certamente teve de rumar para Portugal também, ou para outros países, quer por via aérea, quer por navios fretados para transportar os refugiados que estiveram temporariamente alojados em campos. Os números de cada situação e os globais são um tanto imprecisos, consoante as fontes, mas todos juntos fomos largas centenas de milhares de refugiados das antigas províncias ultramarinas.

Ora, narro agora o nosso caso, o da odisseia do meu grupo familiar. Era outubro de 1975. Face às condições de grande instabilidade político-militar na pré- independência de Angola, insegurança, lutas constantes entre forças do MPLA e da UNITA na cidade do Lubango, onde vivíamos nessa conturbada época, aliada à crescente escassez de bens de primeira necessidade, deficiência na assistência de saúde, enfim a zona e a cidade a aproximarem-se quase do colapso social, comercial e económico. Tempos pois estonteantes, de muito risco, altamente inseguros sob todos os pontos de vista, pelo que, fomos forçados a tomar a resolução de também partir... Tal qual, como milhares de refugiados já o haviam feito antes de nós, e como outros o fizeram depois. Era a salvação imediata. E o destino que escolhemos, face a haver uma ponte aérea, foi Portugal, reforçado por alguns de nós sermos funcionários públicos, o que permitiria, prometia-se, e veio a acontecer, ingressar no funcionalismo em Portugal, num criado quadro geral de adidos.

Eis, pois, a constituição desse grupo, desta família que fora de José Maria Rodrigues (este falecido, em condições confrangedoras, no Lubango pouco tempo antes, em 26.09.1975, como já relatei noutro escrito que vos enviei): Irene, minha mãe, na época com 64 anos; sua afilhada Joana, jovem de 14 anos; meu irmão Higino, 32; sua mulher e minha cunhada Aldina, 29; seu segundo filho Bruno, com tenra idade; minha mulher, Helga, 23; com nosso bebé Henrique, quase recém-nascido pois tinha um mês e meio de idade; minha filha Graça, 8; e eu, Júlio, com 31 anos. Nove pessoas ao todo, sendo cinco adultos, três crianças e uma adolescente.

Nas semanas anteriores, foi conseguir encomendar caixotes nas últimas carpintarias em funcionamento na cidade, e ir enchendo-os com o possível: máquina de lavar roupa, outros pequenos eletrodomésticos, máquina de costura Singer (da minha idade, pois entrou na minha casa em Caluquembe no dia em que nasci e que ainda hoje a conservo), tapetes, carpetes, utensílios, aparelhos diversos, bibelôs, imensos livros (meu pai possuíra uma biblioteca razoável e havia sido um grande leitor), algumas mobílias e peças de mobiliário, álbuns de fotografias, slides, malas da cânfora, bar chinês, projetor de slides, écran, utilidades diversas e inúmeras outros objetos que era possível meter em uma dúzia de caixotes, de diversas cubicagens. Tentávamos encaixotar a nossa vida…disfarçar o vazio que crescia na nossa alma.

A minha tia Madalena, prima direita e cunhada de minha mãe, foi incansável na ajuda que nos deu a arrumar os caixotes. Mas de notar que a maioria desses bens encaixotados pertenciam ao recheio da casa de minha mãe, e que fora do meu pai; bem como ao recheio da casa do Higino e Aldina, que arranjaram igualmente os seus caixotes. Mas, os pertences, meus e da Helga, constituídos sobretudo pelas muitas prendas de casamento, este ocorrido ainda não havia um ano na ex-Nova Lisboa (Huambo), ficaram por lá, visto que as condições de insegurança ainda foram piores, mais insuportáveis que as do Lubango e já não foi possível aos pais da Helga, onde os nossos bens se encontravam guardados, providenciarem o seu transporte para Portugal. Quanto aos automóveis, consegui ir a Moçâmedes, uns tempos antes da nossa partida, despachar o carro de meus pais, um Audi 100 LS, e o meu, um Autobianchi A111. Estacionei os dois juntos no imenso parque de viaturas à espera de embarque; ainda pensámos meter coisas nos porta-bagagens mas, receosos, não o fizemos, e ainda bem, pois só o meu carro chegou a Portugal, o de meus pais nunca apareceu…Houve quem o tivesse visto a circular, tempos depois, numa cidade em Angola, subtraído assim ao embarque... O Higino e a Aldina também despacharam dois automóveis, um seu (Mini) e outro (Lancia) dum cunhado os quais tiveram o mesmo destino, isto é, nunca chegaram a Portugal.

Voltando ao Lubango: lá conseguimos ainda alugar uma camioneta que levasse os caixotes à estação do Caminho de Ferro, sita no bairro de Stº António, que seriam transportados para o porto de Moçâmedes (hoje Namibe) a fim de seguirem para Lisboa. Todos estes afazeres, formalidades alfandegárias, requerimentos, guias de desembaraço, etc., quer em relação aos bens, quer a nós próprios, eram conduzidos num stress indescritível, com muita tensão e nervos, e sob emoção e tristeza, face ao abandono iminente de nossas casas e de muitos outros pertences, ainda que alguns fossem móveis eram intransportáveis, mas sobretudo chorávamos por dentro pela saída, forçada pelas
circunstâncias, da nossa, e de nossos ascendentes, querida terra angolana, e assim deixarmos os nossos sonhos. E ficámos apenas com a memória. Talvez alguns acessos de tristeza estivessem a ser anestesiados no momento, pela psicose coletiva que se estabeleceu, ao haver todos os dias um número crescente e imparável de refugiados de partida da cidade, entre conhecidos, desconhecidos, amigos, familiares. E, ainda, no coração de cada um, decerto, haveria uma réstia de esperança de um dia no futuro voltarmos a viver e trabalhar na nossa querida terra angolana…que não desejáramos abandonar (mas a este grupo familiar que relato nunca aconteceu alguém voltar a viver em Angola, pelo menos até à atualidade…).

As datas que refiro de seguida, penso estarem certas. Assim, o dia 10 de outubro de 1975 chegou. Foram as despedidas finais emocionantes, da prima Isaura que chorava, da Madalena que não chorava mas tinha um semblante tristíssimo (ela também, sem o imaginar na ocasião, teria de refugiar-se em Portugal meses depois), etc. Era o meu pai que ficava e deixávamos… lá no cemitério da Mitcha. Tomámos um comboio na estação de Stº António, aliás a estação que servia e serve o Lubango, visto que na época a antiga já fora desativada. Chegava a noite desse dia. Nós, e dezenas ou centenas de outros refugiados tomámos o comboio. Lembro-me que, pelo menos, a cabine onde viajámos, não tinha luz e fizemos a viagem de noite inteira às escuras… O meu amigo de peito e colega Pissarra, padrinho de casamento da Helga, também viajou nesse comboio e connosco continuou, passando praticamente a fazer parte do nosso grupo familiar.

Chegados pela manhã do dia 11 a Moçâmedes, fomos desembarcados no porto comercial. Estava-nos destinado um navio da Armada Portuguesa, a navio tanque reabastecedor S. Gabriel (que hoje já não existe; ver foto). Ali fomos arrumados para  pernoitar da forma como foi possível, mais ou menos assim: mulheres e crianças na coberta, homens no convéns, praticamente ao relento ou nos “varandins” laterais. Não nos queixávamos, resignávamo-nos. E, lá se iniciou a viagem marítima pela costa angolana, julgo que já era da parte de tarde, rumo à capital Luanda. Levávamos connosco farnéis e alguns pertences em malas ou sacos que nos podiam acompanhar. Não tivemos frio, pois em Angola, em outubro, está temperatura amena, não choveu, e dormimos, os homens, encostados uns aos outros, lá em cima, éramos muitos e havia que rentabilizar o espaço, e as mulheres e crianças em beliches na coberta, como já indicámos atrás.


 Navio tanque reabastecedor da Armada Portuguesa



Fotos seguintes: 11 e 12.outubro.1975


  No porto de Moçâmedes enquanto se aguardava o embarque
(Helga com bebé Henrique, Joana, Irene e Aldina)

 Idem, quase a embarcarem (em primeiro plano consegue-se ver o nosso grupo familiar)



Pela manhã, começava o dia 12, até avistámos golfinhos, pois quando navegávamos no final do percurso já o sol rompera, até aportarmos em Luanda.

Irene, Higino e Aldina a bordo do navio reabastecedor da Armada Portuguesa
S .Gabriel, rumo a Luanda

Aguardámos algum tempo no navio e depois fomos levados em autocarros, julgo lembrar-me, para o antigo quartel do batalhão de paraquedistas 21, nos arredores de Luanda, em Belas. O qual estava feito num autêntico campo de concentração, degradado, com instalações sanitárias imundas, falta de água com frequência. A Helga, o bebé e as mulheres e crianças lá armaram melhor proteção, dos mosquitos também, numa antiga caserna e os homens preferiram dormir quase ao relento, e no chão. O Pissarra continuava connosco. Havia distribuição de alimentos e organização dos grupos que seguiriam nos próximos aviões da ponte aérea.

E, faziam-se avisos e chamavam-se pessoas por altifalantes ou íamos a uma secretaria saber informações. Felizmente para nós, apenas estivemos ali uma noite e um dia, mais ou menos, nesse campo tão desolador e tão sujo já, do que fora um impecável quartel. O Pissarra e eu, ainda conseguimos, arranjar forma de irmos ao centro da capital, mormente para recolhermos os nossos processos individuais nos serviços de veterinária de Angola, o que era facultado a quem viesse ingressar no tal quadro geral de adidos.

No aeroporto de Luanda, na noite de 13 de outubro, pisámos pela derradeira vez o solo angolano. Tomámos, um avião soviético, apercebemo-nos disso no decorrer da viagem, rumo a Lisboa. Na cabine só podíamos trazer o indispensável, pois malas e objetos considerados a mais iriam no porão, não facultaram nada. Na barafunda da entrada para o avião, perdeu-se o leite em pó e o biberão do Henrique. A bordo, lá conseguimos que as assistentes arranjassem um biberão e outro leite, mas, para um bebé, foi uma alteração rápida e daí, talvez, o desencadear dum problema de gastrenterologia e desidratação que adveio dias depois em Lisboa, com o seu internamento, com prognóstico muito reservado, no hospital pediátrico D. Estefânia, onde, à partida, houve muita dificuldade em o internar, o que foi conseguido face à sensibilidade dum médico espanhol de serviço. E onde o bebé, sem saber, lutou pela vida durante talvez mais de dez dias. Voltando ainda atrás, à viagem de avião para Lisboa: forneceram-nos refeição a bordo e tentámos dormir, tão exaustos estávamos, psíquica e fisicamente.

Chegámos a Lisboa manhã cedo, era o dia 14 de outubro de 1975. A Cruz Vermelha encaminhou a Helga e o bebé para um local mais recolhido naquelas instalações do edifício do aeroporto, espaços repletos impressionantemente de pessoas, a maioria sentada ou deitada no chão, atapetado com cobertores, com a humidade e o frio já do outono, tudo para nós desconhecido e quase nos amedrontava. Num balcão improvisado do Banco de Angola, trocaram-nos 5 contos de escudos angolanos, por pessoa, por 5 contos do dinheiro de Portugal, embora trouxéssemos, alguns de nós,
dezenas ou centenas de contos angolanos das nossas poupanças. Dinheiro angolano esse que se tornou lixo. Porém, outros refugiados, sabia-se, nem os cinco contos tinham para troca.

Nesse dia ainda, a Helga e eu, apanhámos um táxi para irmos para o parque municipal de Monsanto procurar a casa dum amigo que nos veio a receber durante algum tempo; o táxi deixou-nos algures por Monsanto, perante uma morada incerta, e ainda tivemos de muito andar a pé para dar com a casa do nosso amigo, funcionário do parque, o Pedro Baptista. Desconhecíamos que o IARN, Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais, nos podia ter dado alojamento em hotéis. Mais tarde, viemos a fruir desse apoio. O Higino, Aldina e Bruno foram logo encaminhados, sem muito esperarem, por um cunhado, o Luís que já chegara a Portugal há semanas, para um hotel em Colares. E assim, o grupo separou-se logo à chegada a Portugal. Foi pena, mas foram as circunstâncias. O Pissarra seguiu para o norte para junto de sua família.

E, fomos tentando resolver as nossas vidas de imediato, de desenrasque em desenrasque… De luta em luta. De fila em fila.

Do grupo familiar, cada um teve o seu percurso pessoal e profissional nestas quadro décadas. Sucintamente: minha mãe, Irene, foi doméstica, viveu sempre comigo, faleceu aos 99 anos em Sesimbra; Joana, afilhada, trabalhou em diversos locais, tem um filho, e hoje vive e trabalha em Inglaterra (já foi algumas vezes ao Lubango); minha filha Graça trabalhou em várias empresas, teve três filhas, reside no concelho do Seixal onde é empregada duma indústria; Higino, meu irmão, reside no concelho do Seixal, tem três filhos de Aldina, que foi professora do ensino básico, e faleceu aos cinquenta e tal anos, em 2002, foi sepultada onde vivia ultimamente, em Mafra; seu filho Bruno, é hoje bombeiro e reside na Ericeira; Helga é funcionária e reside em Sesimbra, tivemos mais dois filhos para além do Henrique, este licenciou-se, é funcionário municipal em Sesimbra e reside na Amora, tem três filhos; por fim, eu, Júlio, fui médico-veterinário municipal em Sesimbra, hoje já aposentado, e onde resido (fui duas vezes à nossa terra Lubango: a primeira em 2003, com o Henrique também; a segunda, em 2013, sozinho, ao Lubango e Caluquembe, esta minha terra natal).

Fez há dias, em 14 de outubro, 40 ANOS QUE CHEGÁMOS A PORTUGAL. Outras terras, outras gentes, outras vidas. Os tempos seguintes, ou seja, os primeiros dias, semanas, anos e décadas, duma vida nova, diferente, difícil e desenraizada, onde a amargura pela saudade da terra e da vida que deixámos em definitivo lá longe nunca se desvaneceu, ficarão para outros escritos, talvez.

                                                                                                      Júlio (Sesimbra, out.2015

Mensagens populares